Thursday, February 27, 2014

Me sinto um alienígena. Sempre que falo que não quero ter filhos, que não quero me casar e que gosto de ser assim, recebo olhares de reprovação ou, pior ainda, de condescendência. Aquele tipo de olhar que as pessoas fazem quando sentem muita pena de alguém, quando sentem que ela precisa amadurecer para chegar onde estão. 

Ora, eu sempre fui diferente. Não quero pensar como todos; não sou um irresponsável. Minha vida diz respeito apenas a mim mesmo, da mesma maneira que eu não tenho absolutamente nada a ver com as decisões, seja quais forem, dos outros. 

Esses dias me peguei pensando que eu não sou como a maior parte das pessoas e até mesmo de meus amigos. Eu não consigo ter one-night stands; me atrai e excita o romance e a conquista; não quero sair transando com qualquer uma; preciso ser assegurado de que sou desejado, de que sou querido, pois isso é algo que é muito difícil para mim; sou uma bagunça, um pastiche das experiências que vivi até então. Não me sinto melhor ou maior por isso, é apenas uma constatação de algo que, talvez, precise mudar. Me chamem de incongruente, mas é quem sou.

E como eu gostaria que as pessoas vissem que minhas decisões não são fruto de inexperiência ou imaturidade e, sim, conclusões sóbrias sobre a vida moderna nesse país horroroso no qual vivemos.

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