E cá me peguei lembrando de quando você, nos idos de 2004, após um show de uma banda qualquer na Sister Moon - sim, aquela extinta boate de rock que ficava em São Conrado - me pegou pelo braço e me levou a uma porta que dava para o terraço do local. Eu não lembro como chegamos lá, também não lembro porque a porta estava aberta. Mas eu lembro que lá dentro você pegou um isqueiro para iluminar o caminho, entulhado de coisas velhas. Ao chegarmos no meio, você me olhou nos olhos, no meio da penumbra, e me deu um beijo.
E isso está me fazendo lembrar de quando, no mesmo ano, estávamos celebrando o carnaval e eu tinha feito amizade com vários gringos nórdicos malucos. Fomos para a casa deles - o apartamento de Copabacana que eles alugaram - bebemos e saímos para o Espaço Marum, que na época se chamava Nautillus. Quase todos os meus amigos estrangeiros ficaram a fim de você. Lentamente eles foram todos embora e ficamos só nós dois, numa boate prestes a fechar, no terceiro andar. O som já tinha cessado, apenas uma das pistas de dança estava funcionando. Eu estava sentado numa cadeira dessas de ferro, de bar, e você estava perambulando pela pista vazia quando me pede para que eu cante uma música do Radiohead. Eu canto "Everything in it's right place", enquanto você zanzeia pela pista, pensando em não sei exatamente o que. Assim que parei, com o leve ressoar da letra de Thom Yorke ainda ecoando na parede, você vem por trás de mim e me dá um beijo. Foi cinematográfico.
Ah, Manuela...
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