Thursday, December 13, 2012

Devo desistir? O que devo admitir? A vida cobra conclusões, mas eu não consigo chegar a elas. Eu vejo todos ao meu redor sinceros e decididos, enquanto eu permaneço um existencialista, alguém que não aceita o peso da vida, esta mesma vida que foi decidida por outras pessoas. É para ser realmente assim, desse jeito? Sonhos estripados, dores físicas, a eterna sensação de que a única posição é a de ser apenas uma engrenagem na máquina que serve um objetivo maior.

Me desculpe, meu caro Robin Pecknold, mas ao contrário de você e de seu blues desesperançoso, eu não consigo achar que é melhor ser apenas uma parte de um todo cujo objetivo eu não sei. Não, eu não consigo ficar calmo desse jeito, embora eu esteja plácido em casa, deprimido, um ermitão recluso em sua caverna.

Fico imaginando de que adiantam todas as conclusões que alguém pode ter depois de ficar tanto tempo consigo mesmo pensando na natureza humana, quando tantos outros já fizeram isso e já escreveram livros que ditam a forma como você ou os outros devem pensar. E também fico pensando em como tudo isso não vale a pena, já que as coisas que você passou influenciam em você e todo seu trabalho fica melado, emplasterado, com sua própria imagem.

Sim, é isso mesmo. Você já experimentou pegar mel com as mãos? Gruda, mela. Imagine que seus pensamentos são mel sem sabor e você terá uma boa idéia de como meu cérebro está funcionando no momento; como se os pensamentos andassem com dificuldade, as conclusões coladas à parede de meu cérebro, numa cena grotesca, lenta e dolorosamente doce, atraindo as abelhas com seus ferrões, prontas para defender os pilares que foram sendo idiotamente construídos com o passar dos anos.

Hoje eu me peguei pensando em como é uma coisa incrível ouvir alguém dizer que te ama e imediatamente após, percebi que faz algum tempo que não ouço isso e que minhas decisões vão de encontro ao que o mel insiste em fazer com que eu pense - ah, esses sitcoms americanos, esses filmes de comédia-romântica, esse ideal ao qual todos perseguem cegamente sem realmente se colocarem em seus lugares, ou sem repensarem o que os levou a dizer tais palavras.

You can't be right about the future
When you're wrong about the past
- David Bazan, "Future Past"

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