e ela veio à minha porta. bateu três vezes e eu, desconfiado, não abri. resolvi beber um pouco mais, ligar para alguns amigos, mas não saí de casa; de nada adiantou, ela bateu novamente. dessa vez, até que eu me convencesse que era necessário que eu abrisse a porta.
ela entrou, silenciosamente, sentou-se e me encarou com seus olhos negros. seus longos braços alvos se mexeram e eu - por que? - resolvi me aproximar. ela estendeu o braço direito, enfiou-o em meu estômago, e torceu minhas entranhas.
saiu logo após.
ah, solidão... você que me era tão cara... justamente agora era o momento no qual eu não precisava de você.
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