"I've got a hunger twisting my stomach into knots."
Parece até um pouco adolescente citar uma música de uma banda como Death Cab For Cutie, mas a verdade é que esta frase me cabe muito bem agora. Existe, em "Sound of Settling", um sentimento de urgência, tensão e nervosismo que percorre por toda a canção, como se Ben Gibbard estivesse procurando algo pelo qual viver anciosamente. A ponte da música, com guitarras entrando colidindo de forma rítmica, parece-me como quando encontramos pequenas pedras em nosso caminho, paredes onde insistimos em bater a cabeça mesmo sabendo conscientemente que o melhor a fazer é deixar de lado e tentar no dia seguinte.
É bem verdade que, como quase todas as músicas do Transatlanticism, "Sound of Settling" é voltada para um relacionamento amoroso. Mas qualquer relação de nossa vida é como um. Nos apaixonamos pelas pequenas coisas, visualizamos o belo que está dentro de nós em palavras de outros o tempo todo. O ser humano busca, eternamente, encontrar o outro sem encontrar-se a si mesmo no que ele observa para, enfim, ter o tão esperado sentimento de alívio.
E é dentro desse pensamento, de ansiedade, que busco um novo norte. Não me importo se, para ele, precisarei voltar a fazer o que antes reneguei. Tenho até um pouco de medo de ser incapaz, mesmo porque, como sempre, negligenciei uma parte de meus talentos em prol de algo que eu achava ser maior. Essa coisa, tão grande, desfaleceu como poeira em minhas mãos, onde apenas o leve reflexo do sol me deixa contemplar a beleza que um dia existiu ali.
As idéias continuam aparecendo, só que dessa vez, um pouco mais espaçadas. Ao invés de inspiração, o que tenho hoje são conclusões. É um pouco alarmante perceber que perdi algo de puro com o passar do tempo, mas ao mesmo tempo chego a conclusão de, na verdade, nunca importou muito.
Por mais que doa, eu sempre terei a mim.
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