volta e meia o passado vem me assombrar. estende seus braços esguios e esqueléticos, seus dedos longos e gélidos, e me encosta os ombros. olho para trás, finjo ser assombração, mas não consigo. o capuz preto encosta em minha orelha, e sinto frio dos pés à testa. sussurra alguma blasfêmia em meu ouvido, algum pensamento ruim verbalizado, e me sinto pior ainda.
seu braço direto, negro, gentilmente sai de meu ombro e, num movimento abrupto, enterra-se em meu estômago, apertando-o, contraindo-o, fazendo-me retorcido; o esquerdo fica sobre minha têmpora, causando-me náuseas ainda maiores, atrofiando meus vasos sanguíneos, de maneira que fico rígido e preso.
morde-me os sentimentos de fome, os sentimentos saudáveis. arrepia-me e deixa-me mais doente do que realmente. as relações parecem-me cada vez mais distantes diante dessa prisão de ébano, e volto a ser um pequeno garoto, um adolescente, preso.
eu gostaria de poder sair e viver num mundo onde eu pudesse criar tudo. mas isso seria a perdição.
Monday, September 29, 2008
Saturday, September 27, 2008
Tuesday, September 23, 2008
construo o ambiente e decoro-o com belos móveis e adereços. coloco algumas coisas de que gosto, mas também deixo que coloque o que quiser e me sinto confortável com isso. algumas coisas de ultima geração, um toca discos antigo, amplificadores de instrumentos musicais, alguns quadros pós modernos, um cartaz com o brasão do arsenal impresso.
nesta sala nunca falta música e sempre há algo novo para se ouvir. a geladeira, localizada a apenas alguns metros da mesa de jantar, é pequena, mas comporta o suficiente: bebidas para que fiquemos ébrios, onde a música fica melhor, as piadas mais engraçadas, as conversas mais interessantes.
seus lábios cortados são como aqueles que eu costumava desenhar em canvas e papéis que não mostrei a ninguém. mas, bêbado, acabei por retirar o lixo do lixo para alguns conhecidos olharem. mas não tem problema. a sala continua agradável.
você começa a perder um pouco a cabeça, sua boca já está seca, ofereço uma bebida, o que quer eu posso oferecer. você só quer outra marca, e vai atrás dela, nem que seja por um breve momento.
a música desafina, as pessoas vão embora, a visão fica turva e a cabeça chora. a festa acabou, amanhã temos trabalho, faculdade, curso, academia, ensaio, laboratório - e não adianta lamentar a casa estar uma bagunça. é só limpar.
o problema é que as vezes não conseguimos.
nesta sala nunca falta música e sempre há algo novo para se ouvir. a geladeira, localizada a apenas alguns metros da mesa de jantar, é pequena, mas comporta o suficiente: bebidas para que fiquemos ébrios, onde a música fica melhor, as piadas mais engraçadas, as conversas mais interessantes.
seus lábios cortados são como aqueles que eu costumava desenhar em canvas e papéis que não mostrei a ninguém. mas, bêbado, acabei por retirar o lixo do lixo para alguns conhecidos olharem. mas não tem problema. a sala continua agradável.
você começa a perder um pouco a cabeça, sua boca já está seca, ofereço uma bebida, o que quer eu posso oferecer. você só quer outra marca, e vai atrás dela, nem que seja por um breve momento.
a música desafina, as pessoas vão embora, a visão fica turva e a cabeça chora. a festa acabou, amanhã temos trabalho, faculdade, curso, academia, ensaio, laboratório - e não adianta lamentar a casa estar uma bagunça. é só limpar.
o problema é que as vezes não conseguimos.
Tuesday, September 16, 2008
se ao menos eu pudesse voltar atrás e agarrar com unhas e dentes todas as oportunidades que me apareciam... acho que não sou homem o suficiente, ou ao menos, não como eu gostaria de ser. hoje vejo que desperdicei três anos de minha vida por puro receio de me entregar. explica-se, obviamente, se contarmos todas as decepções que sofri. mas por que demorei tanto tempo para superar enquanto outras pessoas simplesmente não ligam?
acho que sou criança demais, mesmo com esse corpo já castigado dos velhos costumes.
acho que sou criança demais, mesmo com esse corpo já castigado dos velhos costumes.
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