Sunday, May 25, 2008

eu não poderia nunca deixar de escrever o que penso. eu não poderia nunca deixar entalado aqui, na garganta, no estômago, tudo aquilo que intuo, tudo aquilo que sinto, tudo aquilo que me faz sentir vivo mas ao mesmo tempo me faz me arrepender dessa condição. os olhos ficam marejados de lagrimas pela impotência e pela condição injusta que me é colocada toda a semana quando a vejo. e isso já faz mais de três anos..!

todas as coisas passam. e isso o que é mais espero de todo o coração. porque não dá pra viver assim, nessa angústia, nessa tristeza de não te ter em meus braços. fingi gostar de outras, mas era tudo sempre passageiro. talvez uma maneira não-saudável que meu coração resolveu escolher para não se ferir tanto toda a vez que vejo a nós dois numa foto, com as bocas abertas e o coração jogado naquele microfone. e você sempre me diz que quer cantar sozinha, quando tudo o que quero é cantar com você. uma só nota, uníssona, para que eu possa finalmente descansar meu coração tão cansado de tantas decepções e para que minha vista não fique sempre embaçada.

sempre prezei o fato de estripar-me em público com meus escritos; volta e meia eu penso em parar, mas são momentos com os de hoje que me fazem pensar o quanto isso aqui é absolutamente necessário pra mim. é quase uma necessidade fisiológica. assim como é tocar-me toda vez que vejo seu lindo sorriso, ouço sua reconfortante voz, e rio de suas coisas. penso como seria bom que você estivesse aqui, no meu quarto, dormindo com seu sono leve e sem ruídos, quase como um cochilo, enquanto eu estaria apenas a namorá-la silenciosamente.

mas esse é um prazer existente apenas nos meus maiores sonhos, naqueles que repetidamente tenho toda semana antes de te ver.

minto. não tenho tantos sonhos quanto eu gostaria de ter. mas é só porque você sempre me foi negada.

a vida sempre me foi negada.

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