estava usando uma blusinha preta (ou marrom? não lembro) com uma estampa fofa, um cinto daqueles de tachinha por cima de uma daquelas saias plissadas de colegial, deixando suas pernocas de fora. o tênis azulzinho combinava com visual de uma maneira não comum - mas era azul mesmo? o que ficou aqui na cabeça era um leve azul bebê. os cabelos cresceram ao ponto de você precisar prendê-los e alguns poucos fios revoltos insistem em cair ao lado das orelhas, estas com alguns brincos a mais que o usual.
finges não me ver de um primeiro relance - será que ela sabe de meu segredo? corrôo-me de medos, inseguranças, e fico ansioso, esperando para que você fale comigo. até que num breve sorriso vens. minh'alma fica um pouco aliviada; sou um romantico daqueles como não se faz mais.
as vezes penso que sou bom demais para você, que você não merece um cara tão legal quanto eu. mas eu não a tenho, você não me tem, então como posso me permitir algum pensamento desse tipo? estivemos tão perto mas tão longe ontem. pé ante pé chego ao lado de outra daquelas meninas de outrora - alvamente bela, daquelas que fazem qualquer um cair de amores.
eu, a cerveja e a conversa.
de repente, desfilas pretensão, charme, aquele nariz em pé, "eu sou a dona do mundo", aquela elegancia, aqueles quilos à menos (estás mais magra!), sem nem ao menos me dirigir seus olhos. acompanhei-te silenciosamente com os meus, enquanto o antigo percebia. mas eu já não conseguia mais me importar, estava perdido no espaço-tempo da observação e admiração, sentado naquele banquinho de concreto sujo em frente a uma mesa de pingue-pongue com pessoas conhecidas ao meu lado fazendo um grande "L".
já era tarde demais. foi ali que percebi que a amava. e amava demais. e como seria bom tê-la em meus braços, apenas imaginando o doce beijo, seu sorriso sincero e sua voz grave.
mas fazes parte daqueles meus eternos amores impossiveis.
i quit.