Sunday, February 13, 2005

a mão esquerda suja e negra de uma noite infeliz de tentativas vãs de felicidade momentânea. a descoberta triste de um relacionamento às escuras de pessoas que você um dia pensou confiar. o choro calado de uma pessoa que nunca poderá ser entendida nem compreendida. mãos e criatividade cansada que não consegue mais fazer músicas do jeito que um dia fluía. e o violão encostado num canto pedindo para que se crie e nada mais consegue ser dito, apenas as lagrimas silenciosas caindo sobre seu ventre cor de vinho. e apenas um acorde em do maior ressoa em seu quarto triste, pensando um piano aplacar toda a dor que sente por estar como sempre se sentiu mas nunca acreditando que todos esses sentimentos um dia viessem a voltar.

- é meu rapaz, a vida é uma puta mas ela quer seu bem.

então a puta continua a brincar com seus sentimentos e fala para que você se dê mais trato. você pensa ignorá-la, apenas por um breve momento, porque não é realmente o que incomoda sua mente. é aquela sensação de vazio que você sentia dois anos atrás, quando nada disso existia, quando os tempos eram outros, quando você ainda conseguia transar como se nada mais existisse.

quando ainda era puro, inseguro, sexual e sensitivo. hoje, quase tudo se perdeu por causa do cigarros, das bebidas, do roque e de todas as coisas pelo qual já passou. mas algo nunca morrerá, e será sua sensibilidade. e é a única coisa que você realmente desejava que morresse, a única coisa que você sempre quis estar em segundo plano. a única coisa que dói, que faz com que você se sinta um lixo, um verdadeiro paciente de natrum muriaticum, uma pessoa que não consegue comer quando precisa ou que come demais quando não é necessário.

é. você precisa de um café. da mesma maneira que eu preciso voltar a escrever e parar de chorar e de sentir.

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