- alo?
e ao receber um telefonema logo após ler um texto seu vejo como ainda estou vivendo num passado confuso. da mesma maneira que quero sua boca, quero a dela também. da mesma maneira que quero seu corpo, quero o dela também. mas ela não deixa. a mim, reservava apenas os lábios. deixava que eu fizesse algumas carícias em seu ventre, mas impedía-me de chegar a seus seios. e eu gostava desse jogo de sedução ébria que ela me impunha. tanto que achei estar gostando demais.
algo me impede de agir ao redor dela, apesar de tudo. bem diferente do que eu tinha com você, aquele sexo violento, insaciável. diziam-me que ela já tinha sido diferente, que um dia ela se deu mais. mas eu não estava lá para tal, quem estava era outro. na época, eu estava apenas a sonhar com alguém que também pertencia a outro. mas sempre me senti atraído por ela. assim como sempre me senti atraído por você.
e eu perdi as duas. você, por erros meus. ela, por receios meus. talvez eu esteja jogando a culpa demais em mim mesmo ou talvez eu esteja apenas querendo me fazer de coitado. mas é fato que, ao assumir culpa, estou sentindo algo e só sentindo algo consigo me sentir vivo. se não, tudo é opaco, tudo é triste, tudo é cinza. não vale a pena viver com expectativas zero, com razão alguma. me movo pelos meus sentimentos.
e quero sentir de novo algo com você ou com ela. porque qualquer uma das duas me fascina. com você seria mais facil pois tenho certeza de que a conheço bem e que meu coração ficaria em paz ao seu lado. com ela seria difícil pela aventura de conhecer, pelo medo, pelo receio.
acho que ficarei com ela. embora saiba que talvez ela nao queira nada comigo além de umas noites de bebedeira e diversão. você já se tornou impossível, algo além de meu alcance.
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