Tuesday, October 27, 2009

algum tempo depois, eu me percebo em outro lugar.

aqui o sol bate apenas pela manhã, de noite faz muito frio e todos os móveis estão cobertos com lençóis brancos para que sejam protegidos de alguma coisa que não sei bem o que é. as plantas, que um dia foram cheias de vida, estão todas secas mas, graças as janelas ligeiramente abertas fazendo o vento cantar através delas, o cheiro de morte não impregnou. na lareira ainda existe um pequeno rastro das cinzas de outros dias mais felizes.

minhas mãos passam por entre os delicados lençóis enquanto vou andando por esse ambiente estranho e hostil. coloco as mãos dentro do bolso, tiro de lá um livro - daqueles pequenos que cabem na palma da mão - e experimento sentar em uma das poltronas que existem nessa sala alta e fantasmagórica.

a cadeira reclama e range conforme eu sento, como se me dissesse para sair logo dali. eu resolvo não ouvir. eu nunca fui bom nisso mas não por não ter capacidade, e sim porque ninguém é. tento ficar um pouco mais confortável enquanto abro o livrinho para ler e esperar o tempo passar até a noite chegar. eu não sei exatamente o que a noite vai me trazer, mas algo me diz que será bom.

o livro é um daqueles que tanto gosto - guerras medievais, ocultismo, mitologia e conflitos políticos. conta a história de um rapaz injustiçado pelo tempo e de como seus feitos no meio de uma guerra entre dois feudos mudaram a história sem que seu valor fosse realmente reconhecido na época. ou ao menos, até agora foi o pouco que compreendi do livro. ele parece nunca acabar, como uma sinfonia onde o autor resolve colocar mais notas conforme a orquestra vai tocando.

quando percebo, acordo e já é noite, com o livro encostado no meu peito e a poltrona mais silenciosa, já acostumada com meu peso. está muito frio e minha jaqueta sozinha parece não dar vazão. parou de ventar e os fantasmas não estão mais aqui, pois já se alimentaram das cinzas da lareira. o vento também levou todas as folhas secas.

estamos, neste lugar estranho, eu, um livro e um grande espaço vazio demais comparado ao que já houve aqui. coço um pouco minha cabeça, pois ela não parece estar achando o motivo que me fez parar aqui.

Sunday, September 13, 2009

é bom que certas coisas fiquem fora da página principal deste blog, porque isso me lembra que elas eventualmente também ficarão numa caixa selada no fundo do porão da minha cabeça, dando lugar a novos móveis e as eventuais emoções que eles trarão.

"and i dream the perfect song, it held all the answers, like hands laid on..."

Saturday, September 05, 2009

o que deu errado? sério, me diz, o que deu errado? eu realmente gostaria de saber o que deu errado. por que as coisas ficaram dessa maneira? o que deu errado?
"I've got a hunger twisting my stomach into knots."

Parece até um pouco adolescente citar uma música de uma banda como Death Cab For Cutie, mas a verdade é que esta frase me cabe muito bem agora. Existe, em "Sound of Settling", um sentimento de urgência, tensão e nervosismo que percorre por toda a canção, como se Ben Gibbard estivesse procurando algo pelo qual viver anciosamente. A ponte da música, com guitarras entrando colidindo de forma rítmica, parece-me como quando encontramos pequenas pedras em nosso caminho, paredes onde insistimos em bater a cabeça mesmo sabendo conscientemente que o melhor a fazer é deixar de lado e tentar no dia seguinte.

É bem verdade que, como quase todas as músicas do Transatlanticism, "Sound of Settling" é voltada para um relacionamento amoroso. Mas qualquer relação de nossa vida é como um. Nos apaixonamos pelas pequenas coisas, visualizamos o belo que está dentro de nós em palavras de outros o tempo todo. O ser humano busca, eternamente, encontrar o outro sem encontrar-se a si mesmo no que ele observa para, enfim, ter o tão esperado sentimento de alívio.

E é dentro desse pensamento, de ansiedade, que busco um novo norte. Não me importo se, para ele, precisarei voltar a fazer o que antes reneguei. Tenho até um pouco de medo de ser incapaz, mesmo porque, como sempre, negligenciei uma parte de meus talentos em prol de algo que eu achava ser maior. Essa coisa, tão grande, desfaleceu como poeira em minhas mãos, onde apenas o leve reflexo do sol me deixa contemplar a beleza que um dia existiu ali.

As idéias continuam aparecendo, só que dessa vez, um pouco mais espaçadas. Ao invés de inspiração, o que tenho hoje são conclusões. É um pouco alarmante perceber que perdi algo de puro com o passar do tempo, mas ao mesmo tempo chego a conclusão de, na verdade, nunca importou muito.

Por mais que doa, eu sempre terei a mim.

Sunday, August 30, 2009

eu queria ter a animação de poder me apaixonar de verdade de novo, sem cascas, sem medos, sem receios. eu sonhei que a conhecia, minha fã desde tempos remotos. você era amiga de uma amiga de uma amiga e, num aeroporto nublado pelas nuvens rosas e cinza de sonho, me sorria timidamente. em minha estupidez eu estufava o peito, ego inflado como um balão de gás - eu achava que era por minha causa; que era vergonha sua por estar falando frente a frente com um ídolo seu, alguém que admirava.

sonhei com isso, acordei e me senti um idiota. quando foi que meus desejos se tornaram tão mesquinhos?

Thursday, August 13, 2009

I feel left out. The only ones who say things like "It's wonderful to see you" are non-player characters from World of Warcraft. Yeah, my life is becoming a sad anecdote of what it used to be.

And all I can do is complain. Sigh... My lack of inspiration is overwhelming.

Friday, July 10, 2009

então, me visto de solidão e fico preso. afasto as pessoas repelindo os sentimentos enquanto vou lapidando as arestas, apenas destruindo o resultado final. finjo-me forte, enquanto por dentro definho com cada corte.

calma, é o que todos dizem. calma, tudo passa.

e a saúde a piorar.

Wednesday, July 01, 2009

we are all artists, we all have to somehow express ourselves, we all think we are more important than we really are, the aesthetic doesn't matter, the materials doesn't matter, we all guess the outcome, we choke on the mirror image, we lick it, kiss it and break it, and with a wounded frame we press on, the bleeding, the itching, fingernails painted red like the color of our lips.

like the weight of a thousand anvils on our shoulders.